terça-feira, 8 de outubro de 2013

Laurence Tholf: Nada Mais

Sem mais histórias.

Os ventos urram ao meu redor, mas as palavras soam abafadas.
Não consigo ouvi-las.

Apenas sons sem sentidos do passado me assombrando.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Frase da Semana:

Fantasmas podem assustar, mas não podem tocar (de onde estou).

domingo, 4 de agosto de 2013

Frase da Semana:

De fato um idiota que compreende muito pouco da vida, mas que sei ver as verdadeiras pessoas que se erguem ao meu lado.

Laurence Tholf: Verdade

Na vida não existem verdades absolutas.

Você nunca pode barganhar a verdade.

Com o tempo a verdade parece apenas uma construção do momento.

Sem significado posterior.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Laurence Tholf: Muitas Vidas

Muitas pessoas acreditam que vivem suas vidas de forma linear e única.

A unicidade da vida é compreender que vivemos muitas vidas dentro de uma.

Em alguns momentos a vida se choca contra nós e nos faz querer viver duas vidas ao mesmo tempo.

Será que somos capazes?!

Acredito que talvez... mas provável que não.

Podemos alterar rumos, dar voltas, mas provavelmente não possamos viver duas vidas ao mesmo tempo.

...

A sabedoria da vida está no tempo.

Mas às vezes a vida não nos dá tempo.

Ou nos oferece oportunidades no tempo errado.

Tempo errado?
Isso existe?

Frase da Semana:

Sei que não ganhamos, mas perdedores não somos.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Frase da Semana:

Tudo na vida construímos para um dia ser destruído.
Para que possamos construir novamente de uma forma diferente.
Como castelos de areia.

A construção é a vida.
Porque me preocupar com o material se só posso levar da vida a própria construção.

sábado, 13 de julho de 2013

Laurence Tholf: Histórias Recortadas

A vida é um recorte de histórias mal contadas.
Por bardos.
Mal vividas.
Por quem não sabe para onde correr.

Frase da Semana:

"If I can't be my own, I'd feel better dead."

_ Nutshell - Alice in Chains

Laurence Tholf: Entrelaçamento

Olhar a vida é algo complexo, difícil!

Compreender que cada vida é única e que devemos entrelaçar vidas umas com as outras é algo sublime e por vezes marcante.

O tempo parece ser um fator importante quando vidas se conectam.
Às vezes ele é preciso como as engrenagens de um relógio, outras ele parece como a areia que cai em uma ampulheta quebrada. Onde parte cai para fora e é soprada pelo vento.

O entrelaçamento de vidas são como microuniversos que se criam instantaneamente. 
Ninguém sabe o motivo que isso ocorre. Ninguém sabe por quanto tempo isso durará.
Mas as marcas ficarão eternas em ambas as vidas.
Boas ou ruins.

Quanto a mim?!
Prefiro pensar que a vida é construída por detalhes.
Detalhes que aparecem em um sorriso sincero ou mesmo em olhos quietos.
Detalhes eternos, que mesmo que passem por uma ampulheta quebrada e o vento sopre ficarão gravados em algum lugar.
Em algum lugar muito especial dentro de mim.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Frase da Semana:

Compreender a vida é compreender que as pessoas machucam umas às outras, aceitar isso e, desta forma, saber perdoar!

sábado, 6 de julho de 2013

Frase da Semana:

Sabe por que as rosas são flores perfeitas? 
Porque elas escondem todo um universo com suas pétalas e acreditam que poucos espinhos podem lhe dar alguma proteção.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Frase da Vida:

Palavras quebradas viram corações partidos.

Vivo aprisionado no tempo!
Naquele tempo que tive!
Que tu me deste!
...
Sonho entre as estrelas!
Observo as formas da lua!
Tento enxergar algo nela ou dentro de mim!
Mas sempre parece que existe uma nuvem para encobri-la!
...
Sinto-me como que acordasse de um sonho bom
que no final se torna pesadelo
e volto à vida real!
...
Nela não existe você!
Apenas o ar frio da noite
que acaba me remetendo àquelas noites!
...


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Laurence Tholf: Pensamentos Fragmentados

Não importa por onde você ande. 

Não importa para aonde você vá.

Você deverá ser o que deve ser e manter-se de pé.

...

Foi o que um bardo me disse quando eu ainda era um garoto franzino em uma cidade gélida.

Ele estava certo.

Caminhei por estradas sem rumo. Acompanhado ou sozinho.

Desejei as sombras da noite como nunca.

Me pegava vislumbrando o crepitar de uma fogueira noturna ou ainda a face redonda e luminosa da lua cheia.

Meus únicos e verdadeiros companheiros eram meus pensamentos (...), uma cerveja e um cigarro.

Perdi-me na nostalgia de noites antigas e passadas.

...

Meu alento são vícios.

Sendo o maior deles são meus pensamentos fragmentados.

domingo, 23 de junho de 2013

Frase da Semana:

Tonight I'm tangled in my blanket of clouds
dreaming aloud...

Foo Fighters - Walking After You

...
Wherever you are, little bat!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Laurence Tholf: Tudo

Vivi!

Uma pequena porção de realidade que você me deu.

...

Sonhei!

Sonhos que jamais esquecerei.

...

Prefiro enfrentar a morte a esquecer tudo que me deste.

Tudo que perdi.

Tudo que tive e não percebi.

Frase da Semana:

Odeio o sono interrompido pelo despertar de um relógio ansioso.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Laurence Tholf: O Bardo

Nomeio-te bardo! Um arauto da palavra e do conhecimento. Através da dança e da escrita você deverá tocar os corações das pessoas, dar conforto aos inconsoláveis, às almas perturbadas, levar riso aos que não conseguem mais sorrir por si.

Na verdade, não sei se tenho o poder para fazer tal nomeação. Acho que o mundo escolhe seus bardos, não nos dando escolhas. 
Na verdade, também tenho dúvidas do quanto isso é um dom ou uma maldição. Tocar corações não é uma tarefa fácil, pois para tocar somos tocados também. 
Haverá momentos que você não saberá para onde correr. Neste caso lhe digo que existirão dois lugares. Ou dentro de si, buscando alguma essência esquecida, ou para todos os lugares e nenhum ao mesmo tempo, compartilhando do universo inteiro e o captando para si.

Você deverá deixar suas ideias, anseios e sonhos transbordarem. Deixar florescer o bardo que existe em você. Poderá também se esconder em páginas com metáforas e contos. Mas mesmo em sua fuga conquistará os corações.

Nomeio-te! 
Faça o melhor com o que lhe for apresentado. 
Viva a vida. Mas lembre-se de que tem obrigações para com o futuro.
Evite machucar as pessoas, elas já sofrem demais.

Não sei se tenho o poder, não sei se te faço um bem com isso, mas... enfim... declaro-te arauto do saber. 
Um bardo.
Uma pessoa sem um nome na multidão.
Mas não mais um.
Um bardo!

...
Felicidades!

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Laurence Tholf: Apenas Sombras

Na noite as sombras tomam formas de pesadelos.

À meia noite elas assustam.

Às três da manhã elas me fazem sorrir e trazem lembranças.
Mas ainda assustam...

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Frase da Semana:

Nunca faça promessas.

Ainda mais se houverem minguinhos envolvidos.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Frase da Semana:

... and if we change, well
I love you anyway.

No Excuses
Alice in Chains

domingo, 26 de maio de 2013

Laurence Tholf: Pequenos Mundos Gigantes

Visualize um pequeno mundo de pequenos horizontes.

Tudo que existe neste mundo é um habitante atarefado com pequenos problemas diários e uma rosa.

Este pequeno habitante pensa em mundos além do dele.
Longe de sua rosa.

Viaja.
Viaja por mundos muito maiores e até menores.

E eis que tudo que ele encontra ao final da sua jornada é a saudade daquele pequeno mundo, da sua rosa.

...

Não é porque enxergamos horizontes pouco amplos que a felicidade não mora nele.

Talvez ela esteja bem próxima.

Seja nas pétalas macias de uma rosa, em seus espinhos ou no gigantesco mundo que ela revela escondido dentro de suas pétalas.

...

Sentir, viver, querer mais.

...

Mas tudo que me faz pensar é que devemos valorizar o que temos.

...

Pode ser que em nossa jornada em busca de maiores horizontes nunca iremos encontrá-los.

E pensaremos na saudade deixada para trás.

Pode ser que nunca possamos voltar e ver o gigantesco mundo que uma simples rosa pode nos revelar.

Pode ser que seja tarde demais para descobrirmos que tínhamos tudo.

...

Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante.
...
Não existe tempo que possa curar o espinho cravado em um coração.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Laurence Tholf: O Mundo Pessoal

Existem momentos em que o mundo que vivemos se modifica em nossa volta.

Nestes momentos não temos vontade de nada, mas por vezes somos obrigados, compelidos a seguir adiante.

Não existem palavras positivas que nos ajudem.
Apenas o dia a dia.

E mesmo assim, não gosto de pensar no tempo como sendo curador.
Existem feridas que muitas vezes não saram.

Podemos não tocar nelas e elas doem menos, mas continuarão sempre doendo.

Não existem pessoas boas ou más. Existe sim uma mistura de ambos dentro de cada um de nós.
E isso muitas vezes nos revela mundos que não esperávamos.

Sou um pária em um mundo onde "tudo vai ficar bem" ou ainda onde as pessoas têm essa mistura de ações boas e más.

Sou uma pessoa com essa mistura também, não me entenda errado, mas tento evitá-la.
Às vezes eu não consigo.

Sempre acabo me surpreendendo com o mundo não apenas a minha volta, mas também dentro de mim.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Frase da Semana:

Because the things you say and the things you do surround me...

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Frase da Semana:

Não quero promessas entre nós. Apenas o ar da noite ou o luar.

Sem mais promessas de mindinho.

domingo, 12 de maio de 2013

Frase da Semana:

Sonhamos sonhos de açúcar que se desmancham na chuva ou nas lágrimas.

E por isso não devemos sonhar?

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Frase da Semana:

Nós "vestimos" a máscara que a vida nos dá.

O ar viciado aqui de baixo entra e arde no peito.


segunda-feira, 29 de abril de 2013

Frase da Semana:

Em algum lugar nas bordas do universo este momento existirá para sempre e é lá que minha mente se encontra.

Desculpa!
Obrigado por tudo!

sábado, 27 de abril de 2013

Frase da Semana:

(frase do dia)

...
You became the light on the dark side of me
...

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Laurence Tholf: Distração do Destino

Tem momentos em que ando distraidamente.

Nestes momentos, por vezes, acredito ver teu rosto.

Nada além da projeção dos meus pensamentos distraídos.

Mas... mesmo assim...

Meu coração dispara.

Penso no que fazer. 
Mesmo que eu tenha apenas por um segundo essa ilusão causada por uma mente perturbada.

Penso em te dizer um "oi".
Um vago "oi".

Penso em te abraçar em silêncio e chorar.

Queria eu que por distração do destino surgíssemos um na frente do outro.

Não sei se eu aguentaria.
Não sei se meu coração aguentaria.
Mas eu adoraria.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Laurence Tholf: Por um segundo mais...

Por um segundo mais eu queria...

Aspirar o ar que tu espiras...

Olhar o suave brilho da noite em teus olhos...

Admirar o teu mordiscar interno da boca...

Ouvir tua suave voz que soa como uma música concebida pelo universo...

Entrelaçar meus dedos nos teus, algo tão suave e que me passa tanta força...

Por um segundo mais eu queria.

Por apenas um segundo,
um instante...


terça-feira, 23 de abril de 2013

Frase da semana:

Quando você tem dinheiro e saúde tem amigos.

sábado, 20 de abril de 2013

Laurence Tholf: A estrada na noite

Fumo um cigarro e encaro a lua que se revela a minha frente.

Parte iluminada, parte obscura.
Como se desejasse apenas me mostrar uma parte de um todo maior.

Penso.
...
Penso.
...

Lembro da estrada na noite.
Aquela no meio da pequena floresta.

Vejo na lua um rosto.

...
Penso.
...
Penso.

Não há um dia em que não pense.
Não existe momento em que eu não pare na escuridão e conte histórias sobre noites passadas para aqueles olhos amarelos que me acompanham.

Não quero esquecer.
Não quero que aqueles olhos esqueçam.

Onde vou eu lembro que lá, de alguma forma, houve uma história.
Parte revelada, parte oculta.

A lembrança de um sorriso a revela.
A escuridão da noite a oculta.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Laurence Tholf: Areia ao vento

Quando você acha que é apenas areia ao vento vem o soar de um sino distante.

Ele soa e faz vibrar todo os seus ossos.

É doloroso.

Dói depois de tanto tempo sentir carne e osso.

Prefiro voltar e ser apenas areia ao vento.

domingo, 14 de abril de 2013

Laurence Tholf: Você

Eu viraria a poeira da estrada, que entra na garganta e afoga!

Uma sombra despercebida, sem olhos para olhá-la!

Um pássaro de asas queimadas, sem lugar para ir!

Seria o que devo ser. 
Mas tudo que queria ser é alguém que te faça sorrir quando tudo parece falhar.

Viveria dentro dos teus olhos, pois quando me vejo refletido por eles tudo me parece belo.

Eu só queria ver a chuva noturna, o sorriso na escuridão, o silêncio de nossa respiração.
Uma vez mais... sem falhar desta vez...

Eu só queria não ser tão estúpido e aproveitar apenas o que tenho, o que tive, o que sempre tive.
Você.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Frase da semana:

A realidade é mais fácil de aceitar quando ignoramos certas coisas. Eu não existo!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Laurence Tholf: Sombras da noite

Sem meu chapéu, sem minha vontade, sem minha alma...

Caminho sem rumo. 
Embriago-me com o ar gélido da noite.

Observo a escuridão. 
Olhos amarelos me acompanham, minha única companhia.

Não existe o hoje, nem o amanhã.

Caio em algum canto e tento sonhar com algo que me traga alento.

Azul.

Vejo o azul cobrindo o negro.
Como se eu já tivesse visto isto.

Ouço uma voz macia. 
Mas o que ela quer dizer?!

Apenas lembranças...

Lembranças de quando o negro era apenas negro.
De quando o sorriso na chuva era belo.
De quando a voz soava em minha mente como parte do presente.

A noite estrelada tenta me mostrar algo.
Mas o quê?
Um céu noturno, um sinal, um brilho perdido no tempo...

Não há sinal.
Não há nada no horizonte além de sombras noturnas e lembranças.

Minha mente não consegue se concentrar para ouvir as vozes.
Apenas ouço uma voz em minha mente.
A minha.
Ela me lembra a vergonha e a dor.

...

Sem chapéu, sem rumo.
Embriago-me com o ar noturno observado por aquele olhar amarelo.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Laurence Tholf: Selvagem como o vento

Apenas um idiota espera domar o vento.
O vento é indomável. Sopra quando tem vontade.
Uma brisa, um furacão. Mas apenas quando quer.

Algumas pessoas são como o vento.
Não podemos esperar algo daquilo que é selvagem.
O que é selvagem pertence a natureza.
...
Quando muito podemos desfrutar uma brisa.
Quando lhes convém.

domingo, 31 de março de 2013

Laurence Tholf: O que marca

O significado das coisas vive no tempo.

...

O presente é o que marca. 
Ignoramos qualquer ligação com o passado.
O que conta é o agora.

É estranho um bardo pensar assim, mas é o que penso.

As histórias do passado são apenas histórias e normalmente são soterradas pelos nossos sentimentos do presente.

Cabe o bardo então contar estas histórias. Afinal, não lembraremos dela quando o presente chegar.

Mas não consigo contar história nenhuma.

...

O que marca é o ruim.
Não importa o quão bem possamos construir uma história, são os fatos ruins que irão marcar.

E é tudo que consigo lembrar.
Do mal que fiz, das coisas ruins ligadas a mim.

...

Em minha mente grita o silêncio de vozes passadas.
Como o perfurar de mil agulhas na minha carne elas dilaceram meus sentidos.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Imagens: Espinhos

Uma pausa forçada nas aulas. Estudos deixados de lado. Um cigarro. Escola de Administração da UFRGS (9h14 do dia 22/3/2013).

A natureza esconde seus espinhos e suas folhas secas.

O ar é entorpecido pela nicotina em meus pulmões.

Pensamentos em devaneio.

Apenas espinhos que penetram na carne...

... antes fosse uma dor física.


quarta-feira, 20 de março de 2013

Laurence Tholf: O dia em que morri

O imediato dizia que a tempestade iria passar.
Mas nisso já havia-se passado quase uma semana.

Estava eu no convés, encarando a chuva. 
Ela estava mais fraca naquela manhã.
Uma rajada de vento soprou e meu chapéu foi parar em alto mar.
Me senti nu. 
Desprovido de meu companheiro de anos.

Me sentia molhado. 
Como se a chuva trouxesse muito mais do que apenas águas, mas sim lembranças de uma vida em cada gota.

O frio penetrava na carne e ardia como fogo gélido nos ossos.

A embarcação não sabia para onde ir.
Estava cercada por brumas.

Os homens enlouqueciam.
Eu ouvia vozes de socorro por todos os lados, inclusive dentro de mim, que se misturavam com o som de madeira rangendo.

Não sabia mais pra onde olhar, meus olhos estavam cegos, assim como meu coração.
Minha mão fraquejou na corda que eu segurava e mergulhei em águas salgadas como lágrimas, frias como uma noite de solidão.

...

Me sentia afundando mais e mais...

...

Sombras pareciam passar nadando por mim, mas quando me virava para observá-las não estavam mais lá.

...

*afundando*

...

Me senti agarrado pelos pulsos com força, mas isso só me fazia me sentir mais inerte.

...

*afundando*

...

Um bardo sem seu chapéu não é bardo.
Encaro esta janela em silêncio, ignorando as vozes que me cercam.
O fogo arde tentando trazer um conforto ao corpo cansado.
A noite na taverna é calorosa em alegrias, falsas alegrias trazidas pela bebida.
Eu ignoro.

Este foi o dia em que morri.

Um bardo sem seu chapéu não é bardo.

Essa é toda a história que eu sei, aquilo que lembro.

...

Continuo olhando em silêncio a janela, acalentado por uma bebida e um cigarro, observando as nuvens noturnas à espera de um sinal entre elas.

domingo, 17 de março de 2013

Laurence Tholf: A Máscara

Um dia vislumbrei a história de um herói.

Este herói usava uma máscara e capa negra.
À noite assemelhava-se com um morcego.

Ele nem percebia quem ele era mais.
O homem ou o herói construído.

Mas conheceu uma mulher. Também uma heroína.
Também com sua máscara.

Apaixonou-se.

Mesmo se ele quisesse se esconder, sua máscara era transparente para ela.
Ela observava a sua alma.
E isso o fascinava.

Viveram aventuras juntos nas sombras da noite.
Conheceram pedaços um do outro que ninguém jamais poderia saber. 
Exatamente o que a máscara tentava esconder.

Mas como em toda história de herói existia um vilão.
Mas este não era um vilão comum.
Morava de forma diferente dentro do coração de ambos.

Com o tempo o vilão conseguiu os separar.

...

Sobre a heroína não soube mais nada.
Mas este herói tentava colocar a sua máscara novamente, mas o peso dela era tanto que ele não a suportava.
O vilão que o consumiu destruiu o herói.
Perder a pessoa que o completava, servia de vigia a suas costas, foi grande.
A vergonha.
Ele sabia que havia falhado. Nem a sua máscara poderia esconder a vergonha que sentia em seus atos.

...

O homem prevalece frente ao herói.
Mas ainda assim este homem esconde-se nas sombras.

Talvez ele espere o rufar de asas noturnas se aproximando.
O arauto de que sua heroína se aproxima.
Mesmo que apenas como uma amiga de aventuras.

...

Aliás, é só o que ele espera!
Uma amiga de aventuras!
A sua amiga!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Laurence Tholf: O Mundo

Foi então que eu visualizei todo um mundo.

Um mundo onde reis eram lendas antigas e quem governava eram seguidores de deuses, clérigos e até mesmo paladinos.

Caravanas guarnecidas cruzavam desertos onde perigos espreitavam. 
Ladrões, tribos bárbaras e até mesmo monstros.

Elfos habitavam uma grande floresta ao norte e protegiam sua única cidade da ação humana.

Anões escavavam em suas grandes cidades atrás das riquezas das montanhas.

Halflings viviam em todas as cidades, desde a destruição de seu próprio lar.

Gnomos governavam uma cidade mágica no topo das montanhas.

...

Heróis faziam parte do passado.
Haviam audazes aventureiros no mundo.

O continente era dividido em três reinos de humanos. 
Onde dois guerreavam movidos pela ganância de seus governantes.

O terceiro reino possuía uma capital em decadência, abandonada pela morte de seu antigo rei. 
"Um herdeiro há de se erguer." 
Dizia uma lenda.

Uma antiga escola de magia, outrora poderosa, hoje era pouco mais do que escombros sustentados pela vontade de alguns magos que ainda acreditam nela.

Uma vila, denominada Vila dos Aventureiros, ergueu-se ao sul da capital. Nela, caravanas buscam aventureiros, assim como diversas pessoas que precisam de ajuda.
A Guilda dos Aventureiros comanda esta cidade, auxiliada pela Guilda dos Mercadores.

A falta de organização no governo originou uma cidade costeira dominada pela Guilda dos Ladrões. Lá encontram-se todo o tipo de elementos malignos e gananciosos. Ladrões, piratas, escravagistas...

Consegui vislumbrar uma ilha chamada de Escombros, onde os piratas encontram-se e dividem seus saques.

Ciganos movem-se pelo mundo atrás de barganhas.

...

Um mapa veio a minha mente e precisei desenhá-lo ao acordar.
Abaixo é o que vi... ou o que consegui desenhar...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Laurence Tholf: O Enforcado

Aquela cigana puxou uma carta para mim.
O Enforcado.
A imagem de um homem preso pelo pescoço por uma corda. Ao fundo uma pequena cidade e uma bela paisagem.

...

Engraçado.

No dia anterior havia passado por um cenário parecido.

...

Era uma cidade pequena. 
Quando a adentrei parecia mais uma cidade fantasma.
Onde os fantasmas eram reais...

...

Um silêncio a corroía.
Só quebrado por um fraco choro.

No meio da cidade uma forca, um Enforcado, uma mulher chorosa e duas crianças abraçadas nesta.

...

Olhei para O Enforcado por um segundo.
Tudo bem, foi um pouco mais...

Arrumei o chapéu na cabeça, acendi um cigarro e continuei olhando a cena.

Era hipnótico, do meu ponto de vista ao menos.
Um movimento pendular causado pelo vento empurrava O Enforcado para lá e para cá fracamente.

...

Não era o momento para perguntas. Apenas indagações mentais.
Terminei o cigarro ali, naquele cenário onde até mesmo o sol parecia esconder-se por entre nuvens e rumei até a taverna.

...

O taverneiro quase se escondia por detrás do balcão.
Nas mesas, clientes que pareciam conversar por telepatia.
Um olhar perdido e triste em cada pessoa naquele local.

...

Pedi uma bebida, uma forte, um destilado, um rum... acho...
Mais um cigarro.
Arrumei o alaúde próximo a cadeira em que estava sentado, próximo do balcão.

...

O taverneiro me olhou e ele sabia o que queria.
Não, não era mais uma bebida. 
Era uma história.

Ele queria me contar, mas não conseguia.

...

Em uma mesa mais afastada, um outro viajante arrumou uma cadeira e acenou para que eu a ocupasse.
Ele também sabia o que eu queria.

Quando me ajeitei na cadeira o viajante começou a falar.

...

"Um inocente, ao meu ver..."
Foi como começou. Demorou a continuar e eu não abri a boca, apenas observei-o.
Mas aquela pequena fala já fez sentido ao que via.

...

Por que condenar um inocente à forca?
Esta era a indagação em minha mente.

...

O viajante continuou um tempo depois, animado por mais uma bebida.

...

"O Enforcado que vê lá fora era um homem, como eu ou você. Um inocente. Com crimes que talvez apenas a consciência dele poderia condená-lo.
E todos aqui sabiam! 
Mas mesmo assim o fizeram.
O julgaram e o enforcaram."

...

Em silêncio desviei o olhar para o meu copo vazio.
Com um sinal, pedi ao taverneiro a garrafa.
Aquilo iria longe...

...

"A inveja dos outros foi o seu derradeiro crime.
Ele era um talentoso homem, não nas artes das armas... ou da música, como você.
Ele era talentoso em criar invejosos.
...
Ele falava e inspirava pessoas... provavelmente como você faz.
Mas inspirava ainda mais os invejosos. E estes já haviam a muito tempo trilhado o caminho do controle. 
Não aceitariam mudanças por aqui.
Nada além daquelas que já haviam causado."

...

Acendi um cigarro e fitei o ambiente.
Todos cabisbaixos.
Se ouviam o que o viajante me contava, ignoravam.

...

"Uma mulher morreu. 
Atacada por este insano, ao que dizem.
...
Vi os ferimentos dela. Atacada por um lobo, é o que eu digo. E já vi muitos ferimentos de lobo e de facas...
O lobo não foi encontrado, mas tenho certeza de que o herói jaze lá fora, Enforcado."

...

Agradeci o viajante pela história.
Não. Não precisava que ele continuasse.

Histórias de homens gananciosos que barganham a alma de pessoas conheço muitas e eu sabia como era.

Dei para o viajante o que sobrou dentro da garrafa.

Coloquei o alaúde nas costas e saí pela porta.

...

O choro havia parado. 
A cena havia mudado.

Mas lá estavam a mulher, não mais com as duas crianças, mas sobre uma lua imponente na forma de uma foice.

...

O Ceifador.
Foi a próxima carta que a cigana me mostrou.

Sim, ela queria contar uma história do meu passado recente. 
E seu olhar não era dos melhores...

...

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Laurence Tholf: Naquela noite

Então eu a conheci.

Como a luz da lua cheia seu rosto se iluminava ao sorrir.

Cavalgamos por estradas e florestas.
Navegamos sob a luz de estrelas.
E eram tantas. Incontáveis estrelas para testemunhar aquele momento.
Momento este que não se apagará da minha memória, pois lembro-me em cada segundo, ainda mais reforçado pela noite estrelada.

Sentamos na beira de um rio e bebemos e rimos e naquele momento nada mais existia. 
Existia apenas a importância daquele instante mágico.

Não precisava mais observar o tempo e as forças da natureza.
Bastava olhar para ela e eu sabia a que servia, quem eu era.

Meu chapéu não escondia meu rosto mais, meu sorriso de bardo não era mais algo forjado pelo tempo e histórias vividas, quase falso. 
Ele era verdadeiro. 
Ela via a mim e eu a ela. Não existiam formas de se esconder. E nem precisava, pois me sentia seguro.

Deitamos e esperamos o momento do nascer do sol.
E que nascer do sol. 
O sol se ergueu com uma luz fraca, iluminando-nos e consigo trouxe-nos uma surpresa.
A deusa da beleza, do amor, o acompanhava.
Como se sussurrasse algo em nossos ouvidos.
Uma música que apenas nós poderíamos ouvir naquele momento único.

Não queria eu parar.
Não queria eu que o sol se erguesse e interrompesse aquele momento.
Mas ele o fez. E de maneira única e especial.

Correr por entre árvores parecia uma ideia tão perfeita.
Pois a felicidade pairava dentro e fora de nós. 
Transbordava.

...

Às vezes eu observo as nuvens e naquelas curvas macias eu vejo as dela.

...


Ah! Naquela noite...


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Laurence Tholf: Gotas que Caem

Gotas caem e podem dar esperança para quem tem sede.

Gotas caem e podem trazer tempestade.

Gotas caem e podem trazer uma nova perspectiva quando iluminadas pela fraca luz de um lampião.

...

Gotas podem ser apenas gotas, sem sentido.

Podem dar sentido a momentos.

Podem cair sobre as frágeis pétalas de uma rosa e realçar a sua beleza.

...

O sentido está na forma como observamos, ou como conseguimos enxergar.

...

Eu vejo longe, embora muitas vezes de forma embaçada. 
Mas estas pequenas gotas são fragmentos de uma realidade.
Uma realidade que pode ser doce ou amarga, mas é apenas a realidade.

...

Observar o simples cair de gotas de chuva podem nos acalmar, lembrar momentos...
E a vida é preenchida pelos momentos, detalhes de uma realidade...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Pequeno Chimp: Carros e Mulas

Em um dia pacato no zoológico, o nosso Pequeno Chimp observa o trânsito de fora do zoo.

...

Pequeno Chimp
Mãe! Por que os humanos ficam presos nessas jaulas por horas sem sair do lugar?

Mãe
Isto são carros, Chimp. E eles ficam presos pois existem muitos deles.

Pequeno Chimp
Mas em cada uma dessas jaulas, digo, desses carros tem vários lugares, mas só vejo um deles em cada.

Mãe
Bem! Acredito que eles poderiam andar juntos.

Pequeno Chimp
E por que não andam?

Mãe
Acredito que eles não gostem de dividir. Não sei!

Pequeno Chimp
Mas se dividissem poderiam andar mais rápido, pois haveria menos dessas... desses carros.

Mãe
Vai brincar com seus irmãos, Chimp!

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E assim o nosso Pequeno Chimp não compreende a humanidade...

Diário de um Solteiro: Os 10 Mandamentos do Solteiro

1. Os sabores do miojo não definem uma dieta balanceada.
Sério, alterar o sabor não afetará a sua dieta. Continuará sendo uma bosta.

2. Enquanto tem prato limpo tem louça. Logo, não precisa lavar.
Já vi alguns reutilizarem o mesmo prato sem lavar ao infinito. A caneca então...

3. A tampa da caixa da pizza é prato.
Evite gerar (mais) louça suja.

4. Ao acabar o café é a hora de fazer compras.
Acabou toda a comida em casa? Peça uma pizza. Acabou o açúcar? Café sem açúcar. Acabou o café? Fudeu...

5. O chinelo é meu salvador. Ele irá me livrar de toda a impureza contida no chão.
Aprendi a usar chinelo morando sozinho.

6. Não importa quantas mesas você tenha. Todas estarão inutilizáveis.
Comer no colo, no sofá, na cama...

7. Passar roupa é no corpo. Daquele jeito.
Ferro de passar. Pfffff...

8. Cheirou, aprovou, comeu!
Método da cheirada.

9. Aproveite toda a boca livre que puder.
Pois em casa a coisa deve estar sinistra.

10. Não se importe com o que digam, eles nunca moraram sozinhos.
Preciso comentar?

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Laurence Tholf: Isolação

Sou cercado por meus pensamentos muito facilmente.

Meus?!

Nestes momentos prefiro manter-me alerta, afastado do grupo, pois não quero influenciar algo que possa me arrepender depois.

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Meus companheiros de viagem me perguntam se estou bem.
Não bebo, não fumo. Não conto histórias.

Apenas observo o horizonte dia e noite.

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Quando a realidade, a minha verdadeira vida, me atinge sou obrigado a não me manifestar de nenhuma forma.

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Um bardo calado não é um bardo. 
Dizem meus companheiros.

Mas é necessário. Por vezes.

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Observar os elementos da natureza, da forma mais ingênua e pura possível sempre ajuda a nos colocar novamente em como somos.

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Buscar! 
Nada em especial.
Apenas buscar uma meta, um sentido.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Laurence Tholf: Vento, Brisa, Furacão...

Minha vida nunca teve muito controle...

Em algum momento pensei que houvesse, mas... enganei-me!

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Sou levado pelo vento!

Por vezes, este vento sopra fraco como uma brisa agradável.

Por vezes, é um furacão!

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Tento me agarrar nas coisas, mas sou etéreo... quase como o vento (antes este fosse)...

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Controle é apenas uma ideia plantada em sua mente!

Ventos têm direção... mas só seguem...

Brisas são fracas, sem direção certa...

Furacões, imprevisíveis...
Onde parar?!

sábado, 5 de janeiro de 2013

Laurence Tholf: Herói

Nunca quis ser herói!

Em minha jornada convivo com muitos.

Sou apenas um arauto da palavra, não um herói!

Nunca quis espreitar pelas sombras, vigilante, para proteger os indefesos.

Mas se precisar eu sou!

Sou aquilo que é exigido de mim. 

Um bardo sabe ser o que é necessário quando lhe é exigido.

Mas o que torna alguém herói?

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Um herói é composto de um passado duro como rocha, que o transformou, o solidificou... o marcou.

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Um herói é composto de um presente claro, onde sem olhar para trás ele sabe que não quer que os outros passem por aquilo que ele passou.
Enfrenta seu medo diariamente. Mas por vezes falha...

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Um herói é composto de um futuro incerto... ou... quem sabe... um futuro lembrado pelas canções de um bardo...

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Sou quem eu sou!
Tenho meu passado e ele me trás chagas...
Não sou herói.
Vivo com um sorriso marcado, que foi tudo que o passado me deixou...
Apenas um sorriso falso de más lembranças...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Frase da Semana:

Mundos não se movem.