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terça-feira, 8 de outubro de 2013

Laurence Tholf: Nada Mais

Sem mais histórias.

Os ventos urram ao meu redor, mas as palavras soam abafadas.
Não consigo ouvi-las.

Apenas sons sem sentidos do passado me assombrando.

domingo, 4 de agosto de 2013

Laurence Tholf: Verdade

Na vida não existem verdades absolutas.

Você nunca pode barganhar a verdade.

Com o tempo a verdade parece apenas uma construção do momento.

Sem significado posterior.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Laurence Tholf: Muitas Vidas

Muitas pessoas acreditam que vivem suas vidas de forma linear e única.

A unicidade da vida é compreender que vivemos muitas vidas dentro de uma.

Em alguns momentos a vida se choca contra nós e nos faz querer viver duas vidas ao mesmo tempo.

Será que somos capazes?!

Acredito que talvez... mas provável que não.

Podemos alterar rumos, dar voltas, mas provavelmente não possamos viver duas vidas ao mesmo tempo.

...

A sabedoria da vida está no tempo.

Mas às vezes a vida não nos dá tempo.

Ou nos oferece oportunidades no tempo errado.

Tempo errado?
Isso existe?

sábado, 13 de julho de 2013

Laurence Tholf: Histórias Recortadas

A vida é um recorte de histórias mal contadas.
Por bardos.
Mal vividas.
Por quem não sabe para onde correr.

Laurence Tholf: Entrelaçamento

Olhar a vida é algo complexo, difícil!

Compreender que cada vida é única e que devemos entrelaçar vidas umas com as outras é algo sublime e por vezes marcante.

O tempo parece ser um fator importante quando vidas se conectam.
Às vezes ele é preciso como as engrenagens de um relógio, outras ele parece como a areia que cai em uma ampulheta quebrada. Onde parte cai para fora e é soprada pelo vento.

O entrelaçamento de vidas são como microuniversos que se criam instantaneamente. 
Ninguém sabe o motivo que isso ocorre. Ninguém sabe por quanto tempo isso durará.
Mas as marcas ficarão eternas em ambas as vidas.
Boas ou ruins.

Quanto a mim?!
Prefiro pensar que a vida é construída por detalhes.
Detalhes que aparecem em um sorriso sincero ou mesmo em olhos quietos.
Detalhes eternos, que mesmo que passem por uma ampulheta quebrada e o vento sopre ficarão gravados em algum lugar.
Em algum lugar muito especial dentro de mim.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Laurence Tholf: Pensamentos Fragmentados

Não importa por onde você ande. 

Não importa para aonde você vá.

Você deverá ser o que deve ser e manter-se de pé.

...

Foi o que um bardo me disse quando eu ainda era um garoto franzino em uma cidade gélida.

Ele estava certo.

Caminhei por estradas sem rumo. Acompanhado ou sozinho.

Desejei as sombras da noite como nunca.

Me pegava vislumbrando o crepitar de uma fogueira noturna ou ainda a face redonda e luminosa da lua cheia.

Meus únicos e verdadeiros companheiros eram meus pensamentos (...), uma cerveja e um cigarro.

Perdi-me na nostalgia de noites antigas e passadas.

...

Meu alento são vícios.

Sendo o maior deles são meus pensamentos fragmentados.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Laurence Tholf: Tudo

Vivi!

Uma pequena porção de realidade que você me deu.

...

Sonhei!

Sonhos que jamais esquecerei.

...

Prefiro enfrentar a morte a esquecer tudo que me deste.

Tudo que perdi.

Tudo que tive e não percebi.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Laurence Tholf: O Bardo

Nomeio-te bardo! Um arauto da palavra e do conhecimento. Através da dança e da escrita você deverá tocar os corações das pessoas, dar conforto aos inconsoláveis, às almas perturbadas, levar riso aos que não conseguem mais sorrir por si.

Na verdade, não sei se tenho o poder para fazer tal nomeação. Acho que o mundo escolhe seus bardos, não nos dando escolhas. 
Na verdade, também tenho dúvidas do quanto isso é um dom ou uma maldição. Tocar corações não é uma tarefa fácil, pois para tocar somos tocados também. 
Haverá momentos que você não saberá para onde correr. Neste caso lhe digo que existirão dois lugares. Ou dentro de si, buscando alguma essência esquecida, ou para todos os lugares e nenhum ao mesmo tempo, compartilhando do universo inteiro e o captando para si.

Você deverá deixar suas ideias, anseios e sonhos transbordarem. Deixar florescer o bardo que existe em você. Poderá também se esconder em páginas com metáforas e contos. Mas mesmo em sua fuga conquistará os corações.

Nomeio-te! 
Faça o melhor com o que lhe for apresentado. 
Viva a vida. Mas lembre-se de que tem obrigações para com o futuro.
Evite machucar as pessoas, elas já sofrem demais.

Não sei se tenho o poder, não sei se te faço um bem com isso, mas... enfim... declaro-te arauto do saber. 
Um bardo.
Uma pessoa sem um nome na multidão.
Mas não mais um.
Um bardo!

...
Felicidades!

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Laurence Tholf: Apenas Sombras

Na noite as sombras tomam formas de pesadelos.

À meia noite elas assustam.

Às três da manhã elas me fazem sorrir e trazem lembranças.
Mas ainda assustam...

domingo, 26 de maio de 2013

Laurence Tholf: Pequenos Mundos Gigantes

Visualize um pequeno mundo de pequenos horizontes.

Tudo que existe neste mundo é um habitante atarefado com pequenos problemas diários e uma rosa.

Este pequeno habitante pensa em mundos além do dele.
Longe de sua rosa.

Viaja.
Viaja por mundos muito maiores e até menores.

E eis que tudo que ele encontra ao final da sua jornada é a saudade daquele pequeno mundo, da sua rosa.

...

Não é porque enxergamos horizontes pouco amplos que a felicidade não mora nele.

Talvez ela esteja bem próxima.

Seja nas pétalas macias de uma rosa, em seus espinhos ou no gigantesco mundo que ela revela escondido dentro de suas pétalas.

...

Sentir, viver, querer mais.

...

Mas tudo que me faz pensar é que devemos valorizar o que temos.

...

Pode ser que em nossa jornada em busca de maiores horizontes nunca iremos encontrá-los.

E pensaremos na saudade deixada para trás.

Pode ser que nunca possamos voltar e ver o gigantesco mundo que uma simples rosa pode nos revelar.

Pode ser que seja tarde demais para descobrirmos que tínhamos tudo.

...

Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante.
...
Não existe tempo que possa curar o espinho cravado em um coração.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Laurence Tholf: O Mundo Pessoal

Existem momentos em que o mundo que vivemos se modifica em nossa volta.

Nestes momentos não temos vontade de nada, mas por vezes somos obrigados, compelidos a seguir adiante.

Não existem palavras positivas que nos ajudem.
Apenas o dia a dia.

E mesmo assim, não gosto de pensar no tempo como sendo curador.
Existem feridas que muitas vezes não saram.

Podemos não tocar nelas e elas doem menos, mas continuarão sempre doendo.

Não existem pessoas boas ou más. Existe sim uma mistura de ambos dentro de cada um de nós.
E isso muitas vezes nos revela mundos que não esperávamos.

Sou um pária em um mundo onde "tudo vai ficar bem" ou ainda onde as pessoas têm essa mistura de ações boas e más.

Sou uma pessoa com essa mistura também, não me entenda errado, mas tento evitá-la.
Às vezes eu não consigo.

Sempre acabo me surpreendendo com o mundo não apenas a minha volta, mas também dentro de mim.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Laurence Tholf: Distração do Destino

Tem momentos em que ando distraidamente.

Nestes momentos, por vezes, acredito ver teu rosto.

Nada além da projeção dos meus pensamentos distraídos.

Mas... mesmo assim...

Meu coração dispara.

Penso no que fazer. 
Mesmo que eu tenha apenas por um segundo essa ilusão causada por uma mente perturbada.

Penso em te dizer um "oi".
Um vago "oi".

Penso em te abraçar em silêncio e chorar.

Queria eu que por distração do destino surgíssemos um na frente do outro.

Não sei se eu aguentaria.
Não sei se meu coração aguentaria.
Mas eu adoraria.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Laurence Tholf: Por um segundo mais...

Por um segundo mais eu queria...

Aspirar o ar que tu espiras...

Olhar o suave brilho da noite em teus olhos...

Admirar o teu mordiscar interno da boca...

Ouvir tua suave voz que soa como uma música concebida pelo universo...

Entrelaçar meus dedos nos teus, algo tão suave e que me passa tanta força...

Por um segundo mais eu queria.

Por apenas um segundo,
um instante...


sábado, 20 de abril de 2013

Laurence Tholf: A estrada na noite

Fumo um cigarro e encaro a lua que se revela a minha frente.

Parte iluminada, parte obscura.
Como se desejasse apenas me mostrar uma parte de um todo maior.

Penso.
...
Penso.
...

Lembro da estrada na noite.
Aquela no meio da pequena floresta.

Vejo na lua um rosto.

...
Penso.
...
Penso.

Não há um dia em que não pense.
Não existe momento em que eu não pare na escuridão e conte histórias sobre noites passadas para aqueles olhos amarelos que me acompanham.

Não quero esquecer.
Não quero que aqueles olhos esqueçam.

Onde vou eu lembro que lá, de alguma forma, houve uma história.
Parte revelada, parte oculta.

A lembrança de um sorriso a revela.
A escuridão da noite a oculta.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Laurence Tholf: Areia ao vento

Quando você acha que é apenas areia ao vento vem o soar de um sino distante.

Ele soa e faz vibrar todo os seus ossos.

É doloroso.

Dói depois de tanto tempo sentir carne e osso.

Prefiro voltar e ser apenas areia ao vento.

domingo, 14 de abril de 2013

Laurence Tholf: Você

Eu viraria a poeira da estrada, que entra na garganta e afoga!

Uma sombra despercebida, sem olhos para olhá-la!

Um pássaro de asas queimadas, sem lugar para ir!

Seria o que devo ser. 
Mas tudo que queria ser é alguém que te faça sorrir quando tudo parece falhar.

Viveria dentro dos teus olhos, pois quando me vejo refletido por eles tudo me parece belo.

Eu só queria ver a chuva noturna, o sorriso na escuridão, o silêncio de nossa respiração.
Uma vez mais... sem falhar desta vez...

Eu só queria não ser tão estúpido e aproveitar apenas o que tenho, o que tive, o que sempre tive.
Você.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Laurence Tholf: Sombras da noite

Sem meu chapéu, sem minha vontade, sem minha alma...

Caminho sem rumo. 
Embriago-me com o ar gélido da noite.

Observo a escuridão. 
Olhos amarelos me acompanham, minha única companhia.

Não existe o hoje, nem o amanhã.

Caio em algum canto e tento sonhar com algo que me traga alento.

Azul.

Vejo o azul cobrindo o negro.
Como se eu já tivesse visto isto.

Ouço uma voz macia. 
Mas o que ela quer dizer?!

Apenas lembranças...

Lembranças de quando o negro era apenas negro.
De quando o sorriso na chuva era belo.
De quando a voz soava em minha mente como parte do presente.

A noite estrelada tenta me mostrar algo.
Mas o quê?
Um céu noturno, um sinal, um brilho perdido no tempo...

Não há sinal.
Não há nada no horizonte além de sombras noturnas e lembranças.

Minha mente não consegue se concentrar para ouvir as vozes.
Apenas ouço uma voz em minha mente.
A minha.
Ela me lembra a vergonha e a dor.

...

Sem chapéu, sem rumo.
Embriago-me com o ar noturno observado por aquele olhar amarelo.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Laurence Tholf: Selvagem como o vento

Apenas um idiota espera domar o vento.
O vento é indomável. Sopra quando tem vontade.
Uma brisa, um furacão. Mas apenas quando quer.

Algumas pessoas são como o vento.
Não podemos esperar algo daquilo que é selvagem.
O que é selvagem pertence a natureza.
...
Quando muito podemos desfrutar uma brisa.
Quando lhes convém.

domingo, 31 de março de 2013

Laurence Tholf: O que marca

O significado das coisas vive no tempo.

...

O presente é o que marca. 
Ignoramos qualquer ligação com o passado.
O que conta é o agora.

É estranho um bardo pensar assim, mas é o que penso.

As histórias do passado são apenas histórias e normalmente são soterradas pelos nossos sentimentos do presente.

Cabe o bardo então contar estas histórias. Afinal, não lembraremos dela quando o presente chegar.

Mas não consigo contar história nenhuma.

...

O que marca é o ruim.
Não importa o quão bem possamos construir uma história, são os fatos ruins que irão marcar.

E é tudo que consigo lembrar.
Do mal que fiz, das coisas ruins ligadas a mim.

...

Em minha mente grita o silêncio de vozes passadas.
Como o perfurar de mil agulhas na minha carne elas dilaceram meus sentidos.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Laurence Tholf: O dia em que morri

O imediato dizia que a tempestade iria passar.
Mas nisso já havia-se passado quase uma semana.

Estava eu no convés, encarando a chuva. 
Ela estava mais fraca naquela manhã.
Uma rajada de vento soprou e meu chapéu foi parar em alto mar.
Me senti nu. 
Desprovido de meu companheiro de anos.

Me sentia molhado. 
Como se a chuva trouxesse muito mais do que apenas águas, mas sim lembranças de uma vida em cada gota.

O frio penetrava na carne e ardia como fogo gélido nos ossos.

A embarcação não sabia para onde ir.
Estava cercada por brumas.

Os homens enlouqueciam.
Eu ouvia vozes de socorro por todos os lados, inclusive dentro de mim, que se misturavam com o som de madeira rangendo.

Não sabia mais pra onde olhar, meus olhos estavam cegos, assim como meu coração.
Minha mão fraquejou na corda que eu segurava e mergulhei em águas salgadas como lágrimas, frias como uma noite de solidão.

...

Me sentia afundando mais e mais...

...

Sombras pareciam passar nadando por mim, mas quando me virava para observá-las não estavam mais lá.

...

*afundando*

...

Me senti agarrado pelos pulsos com força, mas isso só me fazia me sentir mais inerte.

...

*afundando*

...

Um bardo sem seu chapéu não é bardo.
Encaro esta janela em silêncio, ignorando as vozes que me cercam.
O fogo arde tentando trazer um conforto ao corpo cansado.
A noite na taverna é calorosa em alegrias, falsas alegrias trazidas pela bebida.
Eu ignoro.

Este foi o dia em que morri.

Um bardo sem seu chapéu não é bardo.

Essa é toda a história que eu sei, aquilo que lembro.

...

Continuo olhando em silêncio a janela, acalentado por uma bebida e um cigarro, observando as nuvens noturnas à espera de um sinal entre elas.