quarta-feira, 17 de junho de 2009

Notas de Aula: Beijo

Certo dia, em uma sala de aula qualquer...

Para que os alunos fizessem silêncio, me postei em frente à turma, cruzei os braços e fiz cara feia. Ficava encarando quem tava conversando.

Lá do fundo da turma, um aluno levantou e veio caminhando calmamente até a frente. Chegando, me deu um beijo no rosto.

Não há cara de mau que segure um Diego frente a isto. Caí na risada! =P

domingo, 7 de junho de 2009

Laurence Tholf: sangue, neve e vozes

Aqueles que nasceram para atender as vozes do mundo não podem ser lembrados por si próprios. Nós reproduzimos apenas as mensagens passadas através dos ventos, dos olhos dos animais e... até mesmo, das sombras! Sim, meu amigo! Pois não só feitas de heróis são estas histórias, pois para existir um herói, é necessário um grande inimigo.

Bondade e maldade são apenas pontos de vistas diferentes. Você tem uma idéia do que é bom, pois seus pais o convenceram das coisas corretas, ou seja, as coisas “boas”, mas isso não passa de um ideal criado por pessoas.

Entender as raízes do que torna uma pessoa tão diferente de outra, bem e mal, é meu destino. Minha maldição!

E você meu amigo, perguntou quem sou eu. E é disso que irei falar esta noite, aqui cercado pelas sombras neste acampamento, ou seria iluminado pelas chamas?

Falar de mim próprio não é algo que faço, pois como disse, sou um instrumento que conecta as pessoas, com histórias passadas, de heróis esquecidos, vilões esquecidos, reis esquecidos, mundos esquecidos, muitas destas pessoas que mal conhecem os deuses deste mundo. Um instrumento não pode ser lembrado, mas seu som, nunca será esquecido dentro do coração daqueles que o ouvem.

Mas vou atendê-lo, irei falar de mim. Mas apenas hoje. Será a primeira e última vez que alguém ouviu a história do instrumento chamado Laurence Tholf.

Sim meu amigo, este é meu verdadeiro nome, e nem me lembro mais da última vez que o pronunciei.

Laurence nasceu em terras desoladas, frias, onde a sobrevivência era um desafio diário. Herói nesta terra era aquele que conseguisse sustentar sua família. E acredite, existiam muitos. Bravos homens e mulheres que lutavam a cada dia, navegavam, saqueavam outros povos, mas traziam comida para suas famílias. Seria possível chamar estes homens e mulheres de maldosos? Eles matavam sim, mas era por sobrevivência, era por amor a seus amigos e parentes. Nesta história veremos muita “bondade” e “maldade”, e veremos por muitas ópticas.

A família Tholf era composta por um pai, vigoroso e grande navegador, um líder nato, mas também contava com uma mãe, bela, sadia, e igualmente uma líder. Mas o que o pai tinha de liderança de batalha e navegação, a mãe tinha de liderança de organização, ordem. Ambos se apaixonaram pelo espírito independente, e selvagem um do outro. O pai apaixonou-se pelos olhos de cores diferentes da mãe, um verde como as águas de mares mais quentes, e outro castanho de um tom escuro, que lembravam tristeza. A mãe apaixonou-se pelos ombros largos, os cabelos ruivos ondulados maltratados, e pela beleza selvagem do pai.

Muitos nomes desta história não serão revelados, pois nomes são esquecidos, mas idéias, estas nunca são esquecidas.

A família Tholf ainda tinha quatro filhos. Três homens, e uma bela mulher. O mais velho acompanhava o pai em suas viagens, desde muito cedo, tinha paixão pelo mar e pelo sangue. Era um guerreiro, assim como o pai. O segundo filho era mais parecido com a mãe. Ajudava a vila a se defender, e fazia com que os corações das moças do vilarejo caíssem em amor pela sua beleza. A garota era a terceira em ordem de nascimento. Bela como a mãe e selvagem como o pai, causava muitos problemas para os seus irmãos. O quarto era nosso personagem, Laurence. Um garoto nitidamente tímido, franzino e com nenhuma beleza em especial. Alguns diziam que após tantos belos filhos, com talentos tão especiais, Laurence era a imagem do desgaste da família.

Como era o mais jovem, cresceu sem nenhuma obrigação para com a sua família. Isso fazia com que Laurence, um garoto precoce, que sempre aprendeu muito rápido, aprendesse de tudo um pouco. As pessoas não percebiam, mas por detrás daqueles olhos bicolores como os da mãe existia uma inteligência que há anos não se via para aquelas pessoas.

Mas a vida do garoto mudou quando ele estava com 16 anos. Sem nenhum talento para batalha, Laurence era ridicularizado pelo seu povo, um povo guerreiro. Foi com esta idade que o vilarejo foi atacado pelos inimigos do pai. O ataque foi à noite, e aquela noite ficou para sempre iluminada nos olhos de Laurence. A vila queimava, tinha cheiro de carne e óleo queimados. Laurence viu sua irmã ser violentada, assim como sua mãe, tentou reagir, mas foi incapaz, escapou da morte naquele instante por um triz. Ferido, tentou fugir. Viu as pessoas morrerem queimadas, cortadas, decapitadas... viu seu povo morrer, viu a cabeça do seu irmão perdida pelo chão, quase desmaiou, mas seguiu com sua fuga. O ataque foi implacável, e não se pode dizer que foi um ato de “maldade”, pois eles buscavam a vingança sim, mas quem tinha atacado primeiro? Quem matou o povo do outro primeiro?

Laurence corria, corria e corria. Não sabia para onde estava indo, mas estava indo para longe daquele massacre. Foi quando uma besta o atacou, o derrubando na neve. Estava cercado por uma matilha de lobos da estepe. Duas ou três destas bestas pularam sobre mim, rasgaram minhas roupas, morderam. Lembrar de como não fui devorado por estas bestas é difícil, pois neste instante minha vida mudou. Tive a sensação de que toda a neve brilhava, o chão brilhava, talvez eu estivesse morrendo, mas a questão é que eu vi, ouvi, outros lugares, outros mundos. Vi reis, heróis, vilões, grandes reinos, povoados heróicos, idéias e ideais. Vi deuses. Vi criaturas espreitando nas sombras de muitos mundos. Vi reinos de chamas, reinos de água. Vi gigantes cuja pegada poderia ser um mundo todo novo para nós. Vi mundos tão pequenos, que poderiam caber inteiramente em um único de nossos poros.

...

Nunca havia contado para ninguém isso, pois este é o início de uma nova visão do NOSSO mundo. Alguns poderiam dizer que isso é mentira, outros que é pura invenção, mas a questão é: quem nunca se deparou em o quão insignificantes nossas vidas são? Adquirimos conhecimentos que podem acabar em um único golpe de espada. Somos apenas carne no final de contas. Somos mesmo? Quem nos disse isso? Assim como temos uma visão de “bondade”, temos uma visão daquilo que somos. Uma visão daquilo que acreditamos ser. Ninguém, nunca poderá nos dizer aquilo que somos, apenas nós mesmos. E esta é parte da minha missão. Mostrar para as pessoas, que podem existir muitas outras coisas além de nossas fazendas. Mostrar que podem existir muitas outras pessoas que fizeram a diferença em suas vidas, não importando o onde e o quando. Mostrar que a “bondade” e a “maldade” são apenas pontos de vista de uma mesma história.

...

Quando acordei, estava muito diferente. Sentia-me diferente. Sentia com vontade de correr o mundo, com vontade de viver. Nunca soube o que houve com os lobos, mas quem se importa? Eu estava vivo. Laurence estava vivo.

Vaguei muito tempo, mas o tempo perdeu sua noção para mim. Não por estar em um estado de limite físico e mental, mas por não estar nem aí.

Laurence sentiu frio, pois suas roupas haviam sido rasgadas, sentiu fome, pois onde encontrar comida em um deserto gélido? Sentiu dor, dor pela perda daqueles que conheceu, e pelos seus ferimentos.

Mas Laurence estava feliz. Feliz por poder seguir adiante. Feliz pois queria contar a todos o que vira.

Desde aquele dia, Laurence passou a observar melhor as nuvens, os ventos, as trevas. Conhecia histórias, cada vez que observava estas coisas. Histórias de mundos, deuses, heróis...

A vida de Laurence foi garantida graças a ele encontrar um viajante. O viajante tratou de seus ferimentos, lhe deu comida e roupas. Acompanhou-lhe até novas terras. Terras longe do frio, da neve e da vastidão branca.

Laurence havia conhecido em sua vila Escaldos. Homens que se dedicam à arte, que acompanham aventureiros, para aprender com estes e lhes servir como “conselheiro”, pois são conhecedores de histórias sobre quase qualquer coisa.

Laurence quis ser um destes homens. Pois assim, podia passar seu conhecimento a outros, suas visões, seus pontos de vista.

Laurence compôs músicas para tocar em seu alaúde, instrumento que havia aprendido a tocar em sua vila com um velho escaldo local. Aprimorou sua técnica, é claro.

Ele seguiu grupos, aprendeu, ensinou, e hoje está aqui contando a você esta história. Guarde-a, conte-a, faça o que quiser com esta história, mas uma coisa é certa: não deixe ninguém lhe dizer o que fazer com ela. Apenas VOCÊ pode fazer suas próprias decisões.

Agora é tarde, vá deitar. Amanhã precisamos seguir viagem. Vou tocar uma música para que você descanse e sonhe.

...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Notas de Aula: "Sor, o senhor vai no banheiro também?!"

Certo dia, em uma sala de aula qualquer...

Na real, em um banheiro qualquer...

Estava eu entrando no banheiro, quando dou de cara com um aluno: "Sor, o senhor vai no banheiro também?!"

Sim! Pode ser difícil de acreditar, mas professores cagam, peitam e até mijam às vezes.

Somos seres que erram também (posso julgar um aluno mal), mas como todo mundo que erra, preciso reconhecer meus erros.