Sem meu chapéu, sem minha vontade, sem minha alma...
Caminho sem rumo.
Embriago-me com o ar gélido da noite.
Observo a escuridão.
Olhos amarelos me acompanham, minha única companhia.
Não existe o hoje, nem o amanhã.
Caio em algum canto e tento sonhar com algo que me traga alento.
Azul.
Vejo o azul cobrindo o negro.
Como se eu já tivesse visto isto.
Ouço uma voz macia.
Mas o que ela quer dizer?!
Apenas lembranças...
Lembranças de quando o negro era apenas negro.
De quando o sorriso na chuva era belo.
De quando a voz soava em minha mente como parte do presente.
A noite estrelada tenta me mostrar algo.
Mas o quê?
Um céu noturno, um sinal, um brilho perdido no tempo...
Não há sinal.
Não há nada no horizonte além de sombras noturnas e lembranças.
Minha mente não consegue se concentrar para ouvir as vozes.
Apenas ouço uma voz em minha mente.
A minha.
Ela me lembra a vergonha e a dor.
...
Sem chapéu, sem rumo.
Embriago-me com o ar noturno observado por aquele olhar amarelo.
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