sexta-feira, 5 de abril de 2013

Laurence Tholf: Sombras da noite

Sem meu chapéu, sem minha vontade, sem minha alma...

Caminho sem rumo. 
Embriago-me com o ar gélido da noite.

Observo a escuridão. 
Olhos amarelos me acompanham, minha única companhia.

Não existe o hoje, nem o amanhã.

Caio em algum canto e tento sonhar com algo que me traga alento.

Azul.

Vejo o azul cobrindo o negro.
Como se eu já tivesse visto isto.

Ouço uma voz macia. 
Mas o que ela quer dizer?!

Apenas lembranças...

Lembranças de quando o negro era apenas negro.
De quando o sorriso na chuva era belo.
De quando a voz soava em minha mente como parte do presente.

A noite estrelada tenta me mostrar algo.
Mas o quê?
Um céu noturno, um sinal, um brilho perdido no tempo...

Não há sinal.
Não há nada no horizonte além de sombras noturnas e lembranças.

Minha mente não consegue se concentrar para ouvir as vozes.
Apenas ouço uma voz em minha mente.
A minha.
Ela me lembra a vergonha e a dor.

...

Sem chapéu, sem rumo.
Embriago-me com o ar noturno observado por aquele olhar amarelo.

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