A realidade é mais fácil de aceitar quando ignoramos certas coisas. Eu não existo!
terça-feira, 9 de abril de 2013
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Laurence Tholf: Sombras da noite
Sem meu chapéu, sem minha vontade, sem minha alma...
Caminho sem rumo.
Embriago-me com o ar gélido da noite.
Observo a escuridão.
Olhos amarelos me acompanham, minha única companhia.
Não existe o hoje, nem o amanhã.
Caio em algum canto e tento sonhar com algo que me traga alento.
Azul.
Vejo o azul cobrindo o negro.
Como se eu já tivesse visto isto.
Ouço uma voz macia.
Mas o que ela quer dizer?!
Apenas lembranças...
Lembranças de quando o negro era apenas negro.
De quando o sorriso na chuva era belo.
De quando a voz soava em minha mente como parte do presente.
A noite estrelada tenta me mostrar algo.
Mas o quê?
Um céu noturno, um sinal, um brilho perdido no tempo...
Não há sinal.
Não há nada no horizonte além de sombras noturnas e lembranças.
Minha mente não consegue se concentrar para ouvir as vozes.
Apenas ouço uma voz em minha mente.
A minha.
Ela me lembra a vergonha e a dor.
...
Sem chapéu, sem rumo.
Embriago-me com o ar noturno observado por aquele olhar amarelo.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Laurence Tholf: Selvagem como o vento
Apenas um idiota espera domar o vento.
O vento é indomável. Sopra quando tem vontade.
Uma brisa, um furacão. Mas apenas quando quer.
Algumas pessoas são como o vento.
Não podemos esperar algo daquilo que é selvagem.
O que é selvagem pertence a natureza.
...
Quando muito podemos desfrutar uma brisa.
Quando lhes convém.
domingo, 31 de março de 2013
Laurence Tholf: O que marca
O significado das coisas vive no tempo.
...
O presente é o que marca.
Ignoramos qualquer ligação com o passado.
O que conta é o agora.
É estranho um bardo pensar assim, mas é o que penso.
As histórias do passado são apenas histórias e normalmente são soterradas pelos nossos sentimentos do presente.
Cabe o bardo então contar estas histórias. Afinal, não lembraremos dela quando o presente chegar.
Mas não consigo contar história nenhuma.
...
O que marca é o ruim.
Não importa o quão bem possamos construir uma história, são os fatos ruins que irão marcar.
E é tudo que consigo lembrar.
Do mal que fiz, das coisas ruins ligadas a mim.
...
Em minha mente grita o silêncio de vozes passadas.
Como o perfurar de mil agulhas na minha carne elas dilaceram meus sentidos.
sexta-feira, 22 de março de 2013
Imagens: Espinhos
Uma pausa forçada nas aulas. Estudos deixados de lado. Um cigarro. Escola de Administração da UFRGS (9h14 do dia 22/3/2013).
A natureza esconde seus espinhos e suas folhas secas.
O ar é entorpecido pela nicotina em meus pulmões.
Pensamentos em devaneio.
Apenas espinhos que penetram na carne...
... antes fosse uma dor física.
quarta-feira, 20 de março de 2013
Laurence Tholf: O dia em que morri
O imediato dizia que a tempestade iria passar.
Mas nisso já havia-se passado quase uma semana.
Estava eu no convés, encarando a chuva.
Ela estava mais fraca naquela manhã.
Uma rajada de vento soprou e meu chapéu foi parar em alto mar.
Me senti nu.
Desprovido de meu companheiro de anos.
Me sentia molhado.
Como se a chuva trouxesse muito mais do que apenas águas, mas sim lembranças de uma vida em cada gota.
O frio penetrava na carne e ardia como fogo gélido nos ossos.
A embarcação não sabia para onde ir.
Estava cercada por brumas.
Os homens enlouqueciam.
Eu ouvia vozes de socorro por todos os lados, inclusive dentro de mim, que se misturavam com o som de madeira rangendo.
Não sabia mais pra onde olhar, meus olhos estavam cegos, assim como meu coração.
Minha mão fraquejou na corda que eu segurava e mergulhei em águas salgadas como lágrimas, frias como uma noite de solidão.
Minha mão fraquejou na corda que eu segurava e mergulhei em águas salgadas como lágrimas, frias como uma noite de solidão.
...
Me sentia afundando mais e mais...
...
Sombras pareciam passar nadando por mim, mas quando me virava para observá-las não estavam mais lá.
...
*afundando*
...
Me senti agarrado pelos pulsos com força, mas isso só me fazia me sentir mais inerte.
...
*afundando*
...
Um bardo sem seu chapéu não é bardo.
Encaro esta janela em silêncio, ignorando as vozes que me cercam.
O fogo arde tentando trazer um conforto ao corpo cansado.
A noite na taverna é calorosa em alegrias, falsas alegrias trazidas pela bebida.
Eu ignoro.
A noite na taverna é calorosa em alegrias, falsas alegrias trazidas pela bebida.
Eu ignoro.
Este foi o dia em que morri.
Um bardo sem seu chapéu não é bardo.
Essa é toda a história que eu sei, aquilo que lembro.
...
Continuo olhando em silêncio a janela, acalentado por uma bebida e um cigarro, observando as nuvens noturnas à espera de um sinal entre elas.
domingo, 17 de março de 2013
Laurence Tholf: A Máscara
Um dia vislumbrei a história de um herói.
Este herói usava uma máscara e capa negra.
À noite assemelhava-se com um morcego.
Ele nem percebia quem ele era mais.
O homem ou o herói construído.
Mas conheceu uma mulher. Também uma heroína.
Também com sua máscara.
Apaixonou-se.
Mesmo se ele quisesse se esconder, sua máscara era transparente para ela.
Ela observava a sua alma.
E isso o fascinava.
Viveram aventuras juntos nas sombras da noite.
Conheceram pedaços um do outro que ninguém jamais poderia saber.
Exatamente o que a máscara tentava esconder.
Exatamente o que a máscara tentava esconder.
Mas como em toda história de herói existia um vilão.
Mas este não era um vilão comum.
Morava de forma diferente dentro do coração de ambos.
Com o tempo o vilão conseguiu os separar.
...
Sobre a heroína não soube mais nada.
Mas este herói tentava colocar a sua máscara novamente, mas o peso dela era tanto que ele não a suportava.
O vilão que o consumiu destruiu o herói.
Perder a pessoa que o completava, servia de vigia a suas costas, foi grande.
A vergonha.
Ele sabia que havia falhado. Nem a sua máscara poderia esconder a vergonha que sentia em seus atos.
...
O homem prevalece frente ao herói.
Mas ainda assim este homem esconde-se nas sombras.
Talvez ele espere o rufar de asas noturnas se aproximando.
O arauto de que sua heroína se aproxima.
Mesmo que apenas como uma amiga de aventuras.
...
Aliás, é só o que ele espera!
Uma amiga de aventuras!
A sua amiga!
