segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Laurence Tholf: O Forasteiro

Um viajante cansado chega a uma cidade já em noite alta.
Vai diretamente à taverna praticamente vazia.
Todos calados, sem cantorias ou histórias de bardos, observam o forasteiro entrar.

...

O forasteiro retornava após uma longa jornada à cidade. 
Ele tinha medo de retornar.
Medo de olhares vazios e corações negros.
Antes fosse apenas disso...

...

Não dirigiu palavra a ninguém. Jogou uma moeda sobre o balcão e apontou uma garrafa de bom whisky.
O taverneiro prontamente lhe entregou a garrafa.
Sentou-se em um canto e lá ficou a beber ignorando os olhares vagos e pouco expressivos.

...

Seria apenas mais uma cena corriqueira de taverna, mas o forasteiro sabia o que lhe aguardava. 
Ele estava pronto. Não adiaria mais aquilo de que tanto fugira.

...

Horas se passaram. Pouco se moveu.
Um som de vidro estilhaçando-se corta o silêncio.
Apenas um copo que cai das mãos trêmulas do taverneiro.
... não apenas isso.

...

O forasteiro sabe que esse foi o sinal.
Está próximo.
A sombra no olhar do taverneiro, o tremor que levou ao copo fragmentado. 
Sim, chegou a hora.

...

Com um movimento rápido o forasteiro saca sua adaga e salta para trás empurrando cadeira e virando mesa.
Nenhuma voz é ouvida. 
Pois antes de pensar em dizer palavra o forasteiro tem sua garganta atravessada por uma flecha que voou praticamente silenciosa.

...

Nenhuma palavra.
Apenas o som de gorfadas bombeadas por um coração que diminui seu ritmo.
Para o forasteiro o medo não é a morte.
Mas sim, sentir o sangue encher o seu coração que para, sem conseguir dizer palavra.

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